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Reprodução das
baleias jubarte promove espetáculo no litoral
baiano
Entre julho e
novembro, as baleias jubartes (Megaptera
novaeangliae) atraem a atenção na costa baiana.
Nesse período, o litoral da Bahia, mais
precisamente Caravelas, no extremo sul, e Praia
do Forte, no norte, são áreas onde as jubartes
acasalam e amamentam os filhotes. Com isso, já
começou o monitoramento por meio do Projeto
Baleia Jubarte, que deu origem ao Instituto
Baleia Jubarte (IBJ), responsável pela proteção
da espécie no Brasil há 18 anos. O projeto, que
conta com o patrocínio da Petrobras, possui
bases de pesquisa nos dois locais, Caravelas e
Praia do Forte.
A bióloga Márcia
Engel, diretora do Instituto Baleia Jubarte, ong
responsável pela administração do Projeto,
revela que, segundo levantamento realizado no
ano passado, uma população de cerca de 6 mil
baleias migram todos os anos para o litoral
brasileiro, do Rio Grande do Norte a São Paulo,
para reprodução. O local preferido para
reproduzir e amamentar os filhotes é o Banco dos
Abrolhos, no sul da Bahia. |
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Durante a
temporada de 2008, a equipe do Instituto Baleia
Jubarte, além de realizar atividades de pesquisa
e monitoramento do litoral baiano, intensificará
ações itinerantes de Educação Ambiental em
comunidades costeiras, no norte e no extremo sul
do Estado. Segundo o coordenador regional do IBJ
no Litoral Norte, Enrico Marcovaldi, as ações
ambientais envolverão estudantes, pescadores e
turistas dessas regiões, “ampliando o alcance da
mensagem de conservação e ajudando a melhorar a
relação das comunidades com o meio ambiente”.
O IBJ também
realiza atividades de monitoramento do turismo
de observação de baleias, registro e resgate de
animais encalhados nas praias do litoral da
Bahia, censo aéreo, análises genéticas e de
poluentes, estudos de comportamento e do canto
das baleias, estimativas populacionais e da
distribuição das baleias jubarte, e estudos
sobre a ecologia dos botos cinza (Sotalia
guianensis) e sua interação com barcaças que
transportam celulose no extremo sul do litoral
da Bahia.
Além do
patrocinador oficial, a Petrobras, os
pesquisadores do IBJ recebem o apoio das
seguintes instituições: IBAMA, Avina, Fundação
Garcia D’Ávila, Conservation International, e
IFAW (International Fund for Animal Welfare).
Caça
indiscriminada -Conhecidas pelo temperamento
dócil, as baleias jubarte eram alvos fáceis da
caça indiscriminada. Na época da pesca
artesanal, milhares de baleias foram mortas no
litoral da Bahia. Na “armação” – nome dado às
instalações onde as baleias eram esquartejadas -
eram retiradas a gordura e a carne. Da gordura
se extraía o óleo, que era usado para iluminação
de cidades brasileiras e da Europa, e também
matéria prima para a argamassa, utilizada nas
construções das cidades.
Antes da caça, a
população mundial de baleias jubarte totalizava
cerca de 300 mil. Atualmente restam
aproximadamente 35 mil indivíduos. Em 1966, a
Comissão Internacional da Baleia (CIB) proibiu a
caça de baleias jubarte e, em 1986, passou a
vigorar uma moratória mundial da caça comercial
de baleias. Hoje, apenas Japão, Noruega e a
Islândia violam a proibição. Segundo Engel, que
participa há oito anos das reuniões da CIB, em
2006 a luta pela manutenção da moratória ficou
mais difícil, graças aos esforços do Japão, que
tem buscado como aliados países em
desenvolvimento, oferecendo em troca grandes
investimentos na pesca.
Apesar disso,
segundo Marcovaldi, nos últimos cinco anos o
número de avistagens da espécie aumentou, “Isso
mostra a recuperação do local, como conseqüência
da proibição da caça e do sucesso dos trabalhos
de conservação do Instituto Baleia Jubarte”,
pontua.
O Brasil aderiu à
medida proibitiva em 1986 e, desde 1987, há uma
lei federal que proíbe a caça de baleias em
território nacional. Atualmente o País se
destaca como um dos mais importantes defensores
das baleias no cenário internacional. Apesar
disso, a baleia jubarte consta da lista do
IBAMA de espécies da fauna brasileira ameaçadas
de extinção e do apêndice I da CITES – Convenção
sobre o Comércio Internacional de Espécies
Ameaçadas da Flora e Fauna Selvagens, além de
constar na categoria vulnerável da IUCN (World
Conservation Union). |